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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Santa Liberdade, 50 Anos - Museu Nacional da Imprensa

O Museu Nacional da Imprensa vai inaugurar no dia 22 de Janeiro, às 16 horas, uma exposição documental subordinada ao título “Santa Liberdade, 50 anos: O D. Quixote que abalou as ditaduras de Salazar e Franco”.

O objectivo mostrar o impacto (na imprensa) do assalto ao paquete Santa Maria, dirigido por Henrique Galvão e integrado no movimento de Humberto Delgado. A sessão de abertura conta com a presença de Camilo Mortágua, um dos rebeldes que acompanhou Galvão, e de Margarita Ledo, realizadora galega do documentário “Santa Liberdade”.


Dezenas de exemplares da imprensa nacional e internacional integram a exposição cuja abertura decorre precisamente no dia em que, há meio século, o capitão Henrique Galvão comandou o assalto ao Santa Maria, caso que viria a ser um dos mais duros golpes aplicados ao regime ditatorial que vigorava em Portugal desde 1926.


A exposição, comissariada por Luís Humberto Marcos, director do Museu, apresenta exemplares raros da repercussão da operação na imprensa mundial, designadamente nas grandes revistas mundiais Life e Paris Match e em alguns dos principais jornais do mundo.


Trata -se de uma mostra documental que evidencia toda a odisseia que impressionou a opinião pública mundial durante duas semanas, aproximadamente, a partir das múltiplas manchetes que o caso suscitou, até à entrega do navio a 3 de Fevereiro de 1961.


O paquete de luxo Santa Maria, transportava cerca de mil pessoas depois de deixar Caracas, na Venezuela, e foi tomado por cerca de 25 rebeldes comandados por Henrique Galvão, exilado na Venezuela, após uma singular fuga do Hospital de Santa Maria, em 1959, onde se encontrava detido à guarda da PIDE, a polícia política do regime.


A imprensa da época relata que, depois de ter sido tomado por Galvão, o navio passou a designar-se de “Santa Liberdade”, ostentando tal denominação, em diferentes partes do convés. Além disso, o paquete conseguiu fintar a marinha e a aviação americanas, tendo navegado incógnito, durante milhas, em pleno oceano Atlântico, com rota orientada para África. O comando naval do navio era da responsabilidade de um ex-capitão da marinha espanhola, Jorge Sotomayor, exilado na Venezuela. A acção denominava-se de “Dulcineia” e fora desencadeada pela DIRL (Direcção Ibérica Revolucionária de Libertação), organização que integrava exilados portugueses e espanhóis, associada ao movimento de Humberto Delgado.


Em termos jornalísticos, o caso era muito singular e mobilizou meios nunca utilizados até aquela altura, como foi o uso de pára-quedas por jornalistas do Paris-Match.


A exposição ficará patente até 30 de Junho, na sala Rodrigo Álvares do Museu.

domingo, 3 de outubro de 2010

A República na Imprensa: do Porto a Lisboa

O Museu Nacional da Imprensa está a assinalar o centenário da República com uma grande exposição que abriu no dia 30 de Janeiro e se prolonga até o final do ano. Trata-se de uma mostra singular que se inicia com o “31 de Janeiro”, nos jornais da época, e prossegue em Setembro, com um núcleo dedicado inteiramente ao “5 de Outubro”.

“A República na Imprensa: do Porto a Lisboa”, assim se denomina a exposição, está inserida no programa oficial das Comemorações do Centenário da República e integra é uma centena de peças sobre a “Revolta do Porto”.

Pretendendo realçar a importância da imprensa nos diversos movimentos republicanos que levaram à queda da monarquia em 1910, a mostra apresenta distintas publicações como: “A República”, “ O Século”, “Debates”, “Novidades”, “O diário Illustrado” e alguns jornais satíricos, como “O Sorvete”, “António Maria” e “Pontos nos I’s”, com Sanhudo e Bordalo Pinheiro em destaque. Estarão também patentes edições do “Jornal de Noticias”, “O Primeiro de Janeiro” e do “Diário de Notícias”.

Numa das relíquias do Museu estará disponível uma gravura alusiva ao tema, para que os visitantes procedam à impressão manual, levando para casa uma recordação.